segunda-feira, 23 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
MG
Bem, é certo que atraía novidades e tipos interestaduais. Tinha um encanto brejeiro, que atraía, por assim dizer, por espanto - qta inocência nesses dias!! Sua amiga pegava o canudo e fazia um olhar sedutor, enquanto ela apenas sorria e dizia: cmg nunca vai dar certo!
Minas Gerais esconde pessoas assim: olhos pequenos admirados. O nome é de sertanejo, falta a dupla, eita apareceu, nada falta mais!! "Preferimos Brahma a Skol! Eita, ó lá, o cara se equilibrando na corda! Tem sempre disso aqui? Vai cair!Noossa! Vcs colocam coentro em tudo aqui. Sabe um lugar bom pra almoçar, sem coentro?!". A noite passava e caía na risada: sim, era possível sorrir. Pessoas despertam isso, são o tempero disso, origem, meio e fim. Subiu pro banheiro com a amiga sedutora - a que ficou perguntou: é aquela? E ele disse nao. É a outra e ele apenas sorriu. Ao voltar, sabia-se a escolhida. E já sabia disso bem antes de precisarem de palavras. Olhares e sorrisos nao mentem. A noite era um encanto e deixava cair magia. Ela abria os braços em pensamentos. Em ação, encostou-se na parede. Do lado, um novo alguém. Ainda desconhecido, revelando encantos. Transparecia em pequenos detalhes. Nas coisas simples. Pessoas se revelam em gestos pequenos. Era observadora, notou. "Cuidado com a rua!" Puxava ela pra mais perto, enquanto os carros, tantos, passavam, bem proximos. E ela distraída. "Cuidado com a rua", olhando pro galego que já postava-se do seu lado, cheio de olhares. E ela distraída. E riam daquele pequeno segredo novo. Ao desperdir-se um até logo. Ao ir embora, a ligação. Ao deitar-se a mensagem. "Saudades". Sim.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Sobre bonecos e ruas
Sim, existe o colorido momentâneo e tudo aquilo que se vive - pensou. Apontou pro boneco de Olinda que aparecia pela janela de uma das tantas casas daquela rua em que caminhava a dois. "Olha, já viu?". Mostrava aquilo como se dissesse: "Isso sou eu, gostas?" E ao mesmo tempo em que queria que ele nao gostasse, permitiu-se deixar ser gostada por ele. Sim, as ruas de Olinda tem uma cor sem igual, ele dizia. "Nao saio mais daqui". E ela se calou pq nao sabia se queria que ele ficasse. Sim, existe o colorido momentâneo e tudo aquilo que se vive. Frases a invadiam e diziam: é hoje e somente hoje é o que é, vá. E ela decidiu ir e colorir-se mais uma vez. Pq vale a pena andar de mão dadas em ruas como essas e sorrir com as besteiras que se descobre a dois. E apesar das mãos estarem sendo tomadas e sua vida, mais uma vez, invadida: nao se sentia mais a vontade pra andar assim, junto. Queria sorrir, é fato. Queria abrir a janela e deixar o sol entrar, queria dividir a beleza que sentia em coisas simples. Queria admirar e respeitar o ato do outro, que dividia a água com a velhinha dançarina daquela rua. Gostou do sorriso, sorriu de volta. "A velhinha sempre estará ali, dançando e declarando amor apaixonado ao violeiro que canta na varanda daquela bodega!", ele dizia. "Mesmo que tudo mude ao seu redor", ela pensava. Mesmo que coloridos venham e vão, em novas cores. Mesmo que as cores antigas nao mais importem ou que seja melhor pensar assim. A velhinha continua dançando e as janelas estao abertas pra que vc mostre a alguém a beleza de um boneco, o encanto de um momento e viva a noite com alegria. E amanhã, um novo dia.
domingo, 25 de outubro de 2009
Silêncio.
Nada mais falou, resolveu calar pq qualquer palavra dita poderia estragar o momento. Ouviu o último suspiro, sorriu em favor e pensou naquele instante que nenhum dos dois precisariam de palavras. Isso seria amor. A compreensao do calar, o viver do momento em que se está apenas junto. E nada mais. Pq o nada, por vezes, é tudo. E aquele momento, como tantos outros que já viveram, apesar de aparentemente ausente de emoções, trazia em si tanta importancia quanto todos os outros. O que importa nao é a aparencia, mas o que se sente. Ninguém pode esconder de si o que se passa por dentro. Adia-se, esconde-se. Mas nunca por muito tempo. Quem somos é sempre reflexo do que vivemos. Como a teoria da tábula rasa, sabe? De que somos vazios ate o viver. Entao cuide bem de seus proximos passos. A todo tempo nos é oferecido caminhos para mudar o que incomoda, consertar o que nao é certo, buscar o que se sonha, realizar o que se busca. É dificil, por vezes, olhar pra si e reconhecer que, na verdade, nao somos tao bonitos e perfeitos e passíveis de desacertos. Não. A verdade sobre o que não queremos ver em nós, pode doer sem duvida. Nada tem a ver com o que esperam e com o que esperamos de nós mesmos. E naquele momento, calavam, pq estavam voltados pra si mesmos. Conhecendo os monstros que os habitavam e que podiam, há qualquer tempo, emergir e estragar aquele momento. Sabiam que nao se julgavam e que aceitariam as vírgulas que tbm o faziam ser o que eram. Qe discutiriam e se resolveriam pq se respeitavam e se amavam, a despeito de tudo. Mas calaram. E calaram pq escolheram o sorrir. Calaram pra tbm calarem os monstros.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Amor e liberdade
Eu tenho pensado bastante a respeito de liberdade e relacionamento. Acho que uma coisa nao anula a outra e vice-versa. Nunca fui a favor de pessoas que se anulam pelo outro. Tenho uma personalidade forte o bastante para jamais querer destruir em mim coisas que eu sempre amei só pq nao sao aceitas por qualquer pessoa, mesmo que eu a ame. Entretanto, me pego pensando qual a diferença, afinal, de relacionar-se com o outro, se nada muda, se tudo é igual, se nao nos transformamos com essa uniao, se continuamos tao só o que somos e jamais nos permitimos ser um, porém dois e dividir? Se eu me proponho a andar de maos dadas pela vida, existem esquinas em que vou olhar pro lado e pedir a licença do outro para entrar. E convidar, afinal, estamos ou nao estamos caminhando de maos dadas? Amar é tanta coisa a se definir que eu nao sei precisar. Eu vejo no amor o ato de dividir, de acompanhar e, sem isso, estamos sós, mesmo se estivermos acompanhados. Não é querer podar liberdade de alguem, nao é exigir que o outro lhe peça permissao e nem deixar que o outro comande o que vc vive. Acho que jah ouvi varias vezes e concordei em todas as vezes que ouvi, que amar é ceder. Nao o que somos, nao o que desejamos e o que sonhamos. É ceder aquele espaço que antes era vazio ou ocupado com milhoes de coisas sem sentido para um outro disposto a ali sentar, participar e dar sentido a tudo aquilo que antes nao tinha. Se algo quebrar em tua vida, eu ajudo a consertar. Se a melhor musica toca na minha estrada, eu te convido pra ouvir. Pra mim, amar eh isso. Participação sem arestas, sem vírgulas, sem impedimentos, sem segredos. Pq os segredos acabam com o amor.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Primeiro dia
Terminada as estafantes instruções da secretária que a atendeu sobre o que deveria fazer dali por diante naquele novo trabalho, resolveu dar uma passada no banheiro e conferir o visual. Acontece que eram 8hs da manhã e aquele horário nao era seu, de hábito. Por andar de ônibus acordara umas 3hs antes apenas pra chegar na hora certa e, pelo menos, parcialmente apresentável. A maquiagem simples, leve : pó, lápis e brilho labial. Não havia como encobrir as olheiras que herdara daquela noite mal dormida. Disfarçara apenas. Saiu procurando o banheiro...
-Olá.
- O-oi, respondeu surpresa.
-Vc é nova aqui?
-Deu pra notar?
-Vc não tá fazendo esforço pra disfarçar.
-Nao? Droga, pensei que estava.
-Má atriz.
-Ok, fazer o que...e vc? trabalha aqui faz tempo?
-Nada, novo tbm. Primeiro dia.
- Tbm? Pelo menos vc disfarça melhor do que eu.
-Bem melhor. Qualquer pessoa faria isso.
-Tão ruim assim?
-Como atriz sim.
-Mônica.
-Eduardo.
-Prazer - os dois juntos.
-Bem, secretária da área de finanças.
-Vai receber mta ordens...
-Como vc sabe?
-Bem, vou ser seu chefe. Diretor do financeiro.
-Uau.
-É....
-Pega leve no primeiro dia, pelo menos?
-Claro, reparei nas suas olheiras.
-Er...
-Mas nao se preocupe. E durma melhor hoje. Quero vc sem olheiras amanha.
-Primeira ordem?
-Sim. Incontestável.
- Ok, chefe.
- Eduardo.
- De que?
-Eduardo apenas.
-Começo por onde, Eduardo?
-Vá pra casa hoje. Volte bem descansada amanha.
- Só?
-Por ora.
-Mas...
-Vá. Tenho mta coisa pra fazer hoje. Pessoas pra conhecer e me apresentar. Nao vou ter tempo pra vc. Nao chore.
-Ahahahaha. Bom humor.
-De 8hs da manhã? Impossível.
-Ironia.
-Isso.
-Entao... foi um prazer, Eduardo. Até amanha....
- Até, Mônica. Não esqueça de dormir bem. Amanhã temos um mundo de coisas pra realizar.
- Virei descansada.
-Olá.
- O-oi, respondeu surpresa.
-Vc é nova aqui?
-Deu pra notar?
-Vc não tá fazendo esforço pra disfarçar.
-Nao? Droga, pensei que estava.
-Má atriz.
-Ok, fazer o que...e vc? trabalha aqui faz tempo?
-Nada, novo tbm. Primeiro dia.
- Tbm? Pelo menos vc disfarça melhor do que eu.
-Bem melhor. Qualquer pessoa faria isso.
-Tão ruim assim?
-Como atriz sim.
-Mônica.
-Eduardo.
-Prazer - os dois juntos.
-Bem, secretária da área de finanças.
-Vai receber mta ordens...
-Como vc sabe?
-Bem, vou ser seu chefe. Diretor do financeiro.
-Uau.
-É....
-Pega leve no primeiro dia, pelo menos?
-Claro, reparei nas suas olheiras.
-Er...
-Mas nao se preocupe. E durma melhor hoje. Quero vc sem olheiras amanha.
-Primeira ordem?
-Sim. Incontestável.
- Ok, chefe.
- Eduardo.
- De que?
-Eduardo apenas.
-Começo por onde, Eduardo?
-Vá pra casa hoje. Volte bem descansada amanha.
- Só?
-Por ora.
-Mas...
-Vá. Tenho mta coisa pra fazer hoje. Pessoas pra conhecer e me apresentar. Nao vou ter tempo pra vc. Nao chore.
-Ahahahaha. Bom humor.
-De 8hs da manhã? Impossível.
-Ironia.
-Isso.
-Entao... foi um prazer, Eduardo. Até amanha....
- Até, Mônica. Não esqueça de dormir bem. Amanhã temos um mundo de coisas pra realizar.
- Virei descansada.
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