segunda-feira, 5 de outubro de 2026

rascunho

 Ele sempre foi decente comigo. Não recordo nenhum dia em que fiquei incomodada com alguma abordagem, alguma troca de mensagem, algum flerte. Éramos amigos. Conversávamos porque gostávamos da troca e da conexão. De compartilhar histórias. Embora, quando tento recordar, acho que pouco falávamos sobre ele. Conversávamos muito sobre mim. 

Não lembro exatamente como nos conhecemos. Sei que ele tinha um primo e que, em algum ponto, eu e o primo dele trocamos mensagens. Lembro do carinho de um pelo outro. Com nenhum dos dois,  tive problemas. É incrível que isso me surpreenda, não? Ter sido tratada com decência por meninos. Recebido atenção desinteressada e amizade. Conto nos dedos de uma mão esse tipo de conexão. Fui uma jovem tão atraente quanto inocente. E isso dá um combo perigoso. Caí em muitas armadilhas.

Lembro que conversavamos muito sobre sentimentos. Eu tinha tantos. Um poço fundo deles. Certamente contei sobre o amor impossível e trágico que me tomava aqueles dias. Um que me protegia de outros amores impossíveis e trágicos. E ele escutou. Acho que foi sensível aos meus problemas. Não lembro as palavras, mas lembro da sensação de ser ouvida. Com respeito. E ontem, quando reencontrei o seu nome, em uma lista de nomes públicos, lembrei deste lugar em que estive com ele. Confortável, amigo e decente. Decente é a palavra. Decente. E talvez seguro. Amigo. 

É engraçado essa coisa do tempo. Perdemos pessoas e contatos bons. Me levou a vasculhar ontem um e mail antigo. Ele estava lá. Tinha mudado de cargo, tinha foto com terno. Perdi tudo isso porque nossa relação nunca foi forte o suficiente para que eu não tivesse perdido. O que me leva a pensar também nas relações que atravessam o tempo e permanecem. Embora tivessem tudo para se perder também.

Não nego que algumas delas, quando retornam, faço de tudo para bloquear. Literal e sentimentalmente. Algumas coisas marcam, mas de forma ruim. Todas as relações em que fui tratada como objeto especificamente me foram muito dolorosas. Ao contrário daquelqs em que fui vista, inesquecíveis. É bom ser visto, escutado, ter seus sentimentos validados, ser tratado como único. É um estado de conforto universal. Todos deveriam poder experimentá-lo. Ser humano à vista do outro. Enxergar e ser visto. Um fim e nunca um meio. Não dá esperar que uma professora de filosofia não recorde um princípio de dignidade Kantiano tão lógico, não é? 

Talvez hoje, eu me perderia na multidão aos seus olhos. No espaço em que tantos e tantas apertam as suas mãos. Nos milhões de seguidores e nas milhões de mensagens de boa sorte. Vasculhei um pouco suas propostas. Entendi que nossos estômagos comungam de uma mesma fome. De justiça e igualdade social, embora suas bandeiras estejam mais altas e seus caminhos mais claros neste propósito. Me orgulhei. Do amigo jovem e idealista que eu não sabia que tinha. E, não me engano, não conheço o homem. Só me permiti ficar feliz por ele ao ponto de escrever sobre. Sem mais. 

A sensação de bem estar de nossas conversas, embora perdidas e esquecidas no tempo, me acompanham nesta manhã. Um outro tipo de fantasma que me fez ignorar as coisas concretas e partir para o texto. Para o sentimento que me traz o texto. Para sair um pouco daqui.

Estou na sala verde. Minha sala de bases filosoficas e bioetica em psicologia. Estou me despedindo dela. As cadeiras estão vazias e aqui, vivi muitas trocas e momentos que não foram superificias. Fecho os olhos e lembro de alguns sorrisos. Mas é tão recente. como vou saber que essa sensação atravessará o tempo também?

Eu vi que meu antigo amigo não saiu vencedor da batalha que travou. Hoje não deve estar sendo um dia bom pra ele. Não posso dizer: fique bem. Não posso dizer: continue. Nem posso dizer: que incrível o teu caminho, sabe que me surpreendeu mas até que de tu eu esperava algo assim? Nem posso dizer que fiquei orgulhosa. O tempo nos transformou em estranhos e, possivelmente, ele não lembra de mim. Até ontem, ele também me continuaria um estranho. Ou só um jovem legal que me tratou com decência ao ponto de eu nao ter esquecido o seu nome, a sensação de estar com ele e de ter ficado feliz por suas conquistas. Estou.


domingo, 16 de agosto de 2026

Petúnias coloridas

Ele arrancou a flor, a única flor. Eu repudiei o ato. Uma flor deve permanecer na natureza, firme, enraizada. É preciso terra para brotar, florescer, ser flor. Viver. Ele me entrega a flor morta como se fosse um presente. Eu faço sinal que não, mas não é sobre ele, é sobre a flor. 

Então, eu abro a porta de casa, quero novas flores, coloridas, petúnias coloridas, já comprei os vasos, três vasos pequenos, mas bem fundos, o jardineiro insistiu que fossem fundos para a terra permanecer úmida, assim preservam-se as raízes por mais tempo, Antônio testou e indicou o jardineiro, ele também abomina buquê de flores que morrerão a seguir, nunca me entregou sequer uma rosa solitária no tempo em que fomos um casal e continua pensando da mesma forma, embora sua esposa não compreenda por que não ganha flores em épocas especiais.

Mas isso é uma bobagem, penso enquanto atravesso a rua, como pode-se medir afeto através de presentes e ainda mais de flores mortas, ou prestes a morrer, ali vai a Carolina, talvez consiga dizer oi e contar o episódio do assassinato do meu jardim, mas já são quase cinco horas, Carolina não se contenta com uma pequena conversa, me arrastará para a primeira casa de bolo, a da Esquina 12, nunca saio de lá sem saborear um Red Velvet com café coado, não sou adepta dos cafés expressos, Antônio é. Lembro que trocava as nossas xícaras e sorria com as minhas caretas no primeiro gole e eu sempre caía no mesmo truque, porque estava tão encantada com Antônio que sequer pensava quando estávamos juntos. O Red Velvet da casa da esquina tem cobertura além da conta, então dou as costas à Carolina, pensando no mal que me fará comer tanto doce e somo a isso o horário. Cinco e quinze! De que horas Antônio comentou que a jardinaria fechava? Deveria ter trocado o salto alto pelo médio, ele não se importaria, ah, ali está! Se andar um pouco mais rápido, chego a tempo. 


quarta-feira, 29 de julho de 2026

Um novo segredo antigo e árvores que balançam sem vento


Sara Lúcia morava no alto da colina e, todas as manhãs, descia, colhendo flores, para a escola que ficava à beira do rio.

O rio que atravessava a cidade, diziam, nascia bem perto de onde Sara Lúcia morava, quase no quintal. Mas a menina nunca tinha avistado a sua nascente. Sequer soubera que existia até o seu aniversário de sete.

No assoprar das velas, antes de estourarem os sete balões, a mãe de Sara Lúcia sussurro-lhe ao ouvido segredos da floresta.

A floresta que guardava o rio desde que se acomodou na terra, fazendo nascer a cidade e tudo que brotava.

Foi a mãe da mãe da mãe da tataravô de Sara Lúcia quem banhou, em sua nascente, a primeira criança da família.

Foi ela também quem aprendeu com as árvores as canções que abriam seus caminhos. E os escondiam quando fosse preciso.  

As mulheres da família de Sara Lúcia eram guardiãs das canções que protegiam o rio, para que suas águas permanecessem vivas.  

Mas a mãe de Sara Lúcia nunca chegou a aprendê-las. Sua própria mãe calou-se para sempre no dia em que ela nasceu.

Mãe e filha olhavam a floresta todos os dias, sabendo que deveriam guardá-la, ainda que não conhecessem seus segredos.

Um dia, enquanto penduravam roupas no varal do quintal, observando o topo das árvores balançar sem que houvesse vento, Sara Lúcia começou a cantar.

Não demorou para que a mãe, ao ouvir a voz da filha, encontrasse dentro de si todas as canções que precisava. 

Assim, ouvi contarem que aquele foi o dia em que as duas atravessaram a floresta pela primeira vez e banharam-se cantando, na nascente do rio.
 
E, boiando naquele espelho antigo, desconhecido, mas ainda assim, familiar, Sara Lúcia viu o céu de um ângulo nunca antes visto e assistiu a noite descer sobre o mundo. Trazendo sonhos que ainda não pertenciam a ninguém.



segunda-feira, 25 de maio de 2026

Dente de ouro

Há um pirata na casa ao lado da minha. Ele vive silencioso, quieto, talvez à espera, talvez planejando. Não, não é invenção. Há um pirata. Daqueles de um olho só, faixa atravessada no esquerdo, perna de pau, barba a chegar nos pés. Dente de ouro.

Minha mãe falou pra não me aproximar dos muros da casa. Segundo ela, ratos, escorpiões e baratas são a verdadeira ameaça. Disse, como para que eu não pudesse contestar, Se for até lá, uma semana sem televisão.

Eu adoro televisão e a minha mãe. Não sou de fazer arte ou desobedecer. Claro, não vamos contar as vezes em que a curiosidade ultrapassa algumas regras. Sou criança, é típico. Crianças sempre querem saber mais. 

O que acontece é que hoje, enquanto ela trabalhava na sala, o computador grudado nos olhos, falei que ia beber água e corri pro quintal dos fundos. Não corri de verdade, sabe? Fui devagarzinho, passinhos rasteiros, silenciosos, quase como flutuasse. O que correu foi o coração. A expectativa. 

Grudei o ouvido na parede, espiei pelo buraquinho que encontrei no muro, olhei antes para todos os lados para ver se tinha escorpião, e esperei. Esperei o que pareceram horas. Naquele dia não achei nada além de um quintal sujo e ansiedade. Um nome que aprendi para nomear isso aqui, que me fez escrever agora. Contar os minutos pro amanhã. E escapar de novo.

Dessa vez, ela estava no telefone. Minha mãe é home office. Uma profissão que entendo como algo que não tem horário do dia pra acabar. Se estamos almoçando e o telefone toca, ela sai da mesa. Uma noite acordei para beber água e a luz do computador estava acesa no quarto ao lado do meu.

Eu esperei que ela pegasse o papel e anotasse coisas que o trabalho pede e corri daquele jeito que vocês já conhecem — meio flutuante, meio apressada. O pirata não apareceu mais uma vez. Ainda tentei procurar algo além das plantas que tomavam tudo, quase invadindo nossa casa. Acho que vi uma pá. Sonhei com um baú de tesouros.

Meu nome é Amália. Eu não gosto dele. Minha mãe diz que é lindo, mas meus amigos não entendem assim. Amada, Ama, eu gosto quando me chamam de Lia. Decidi assinar Lia nas tarefas de casa e os professores me pediram para completar. Será que não entendem? Não é a gente que deveria escolher quem é?

Demorou bastante para conseguir ir ao quintal dessa vez. Depois de um choro de quase um dia da minha mãe, descobri que o homeoffice tinha acabado e que agora sua nova profissão era desempregada. Não entendi por que se preocupava, agora tínhamos mais tempo. Logo, fui vendo que não comprávamos mais o requeijão que eu mais gostava e diminuíamos outras coisas. Vamos nos mudar, Amália. Pra casa da vovó. Teremos que nos desfazer de algumas coisas, sabe? Lá é menorzinho que aqui. Vamos doar alguns brinquedos.

Eu não sabia se gostava menos do homeoffice ou do desemprego. Encaixotar era chato, por mais que gostasse da vovó. Resolvi doar a Lia, minha boneca que era Lia mesmo. Não dormia mais com ela há algum tempo. Mas naquela noite, nos despedimos abraçadas.

Minha mãe estava cuidando da mudança e ajudando a colocar as coisas no caminhão, quando corri — corri mesmo — pro muro da casa. Minha surpresa foi tão grande que  Lia que estava em meus abraços caiu no chão. 

O quintal estava limpo e um homem, de costas, cavava algo no que agora parecia um jardim. Não consegui enxergar a perna da direita — deveria ser a de pau, mas a barba era grande e quando se virou, pulei pra trás com o susto. Não vi a perna direita, mas vi o brilho de um sorriso de ouro.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Não voe

Voar. Voar é um movimento. Criar asas, penas. Fazer-se pássaro. Abrir os novos membros, aceitar o novo corpo, acreditar no impossível quando sempre te disseram não. Não voe.

Voar pode ser um direito. Um escape, um delírio. Mas ela não encontrava tempo pra escapar. Antes das cinco, deixava o café pronto em casa e montava na cinquentinha com o companheiro para, às seis, deixar pronto o café dos outros. O filho ficava em casa. Ajeitava as cobertas, soltava um beijo. Deus abençoe.

Já disseram que poderia ser presa. Abandonar o filho assim. Mas, com menos idade que o menino, já ajeitava o pasto. Arrancava cana. Derrubava terra. O filho, com oito, ia pra escola. O ônibus a doze quilômetros da porta. Era levantar e correr. Levar o café pronto que tinha na mesa, se não acordasse a tempo de comer em casa. A farda estendida na cabeceira da cama. A cama com colchão. Que bom que o filho podia ter uma vida diferente da dela.

Enquanto os movimentos dos outros aconteciam ao seu redor, a vida se organizando em oportunidades pra alguns, ela lavava a roupa, ajeitava a comida, faxinava os espaços até as beiras, passava a roupa de todos, enquanto, com a mão, arrumava a dela. A casa não era grande. Mas, de seis às seis, não dá tempo de fazer tudo. Quando fechou o último pacote de lixo e esperou o marido na porta dos patrões, lembrou que tinha tarefa da escola pra fazer. Abriu o celular. Uma redação. Sobre a cidade.

Enquanto passavam de motoca, observava, ligeiro, o que poderia ter escrito. A cidade fechando as portas, os últimos funcionários do comércio respirando o primeiro ar do dia. As fardas coloridas das lojas, que agora conseguia ler os nomes. E escrever sobre elas. Os pais morreram sem saber; o filho aprendeu antes dela. 

A praça acendia. Bonita. As estrelas despontando acima dela. Tão opacas ali, competindo com as luzes artificiais. Satisfeitos com o que está embaixo, poucos olham pro céu. A cidade. Uma cidade que brilha, mas que não enxerga as estrelas.

O filho estava sentado perto da porta quando chegou. Um ioiô na mão.

— Mãe, olhe o que ganhei!

Ela sorri pro menino. Talvez o primeiro sorriso do dia.

— Jantou?

— O pai ajeitou o cuscuz.

— E as tarefas?

O menino não responde. O ioiô sobe, desce.

— Olha isso, mãe!

Ela sabe que não fez. Senta com ele, o céu à frente. No campo, as estrelas é que brilham. Alisa os braços.

— Tá frio, não tá? Vamos entrar?

— Quero ficar um pouquinho.

— Quem te deu isso?

— A professora trouxe um sacão, todo mundo ganhou um. Pergunta pro Zito. O dele é azul.

— O seu também.

— Mas o meu azul é mais bonito.

Voar. Voar como um direito de escapar. Talvez o primeiro sorriso do dia. Talvez o último. Talvez concordar com o filho, alisar os cabelos, beijar o topo da cabeça. 

— Sim, filho. É. Posso tentar?

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Luana e a gravidade

Ela era tão bonita. Tinha olhos pequenos e dentes certinhos, como uma régua. Quando sorria, um furo no rosto aparecia. Dizem ser uma atrofia, as barrocas. Mas o certo é que combinam com algumas pessoas. As dela combinavam com ela.

Luana. Um nome etéreo. Sim, não imaginam uma Luana comum, imaginam? Uma metódica e disciplinada. Não. Há de existirem Luanas assim — perdoem as generalizações —, mas, quando penso em Luana, penso nela. E ela é das que o nome combina. Então, ser Luana é como ser extraterrena, além das convenções. Mais de rupturas do que de remendos. Luana que bagunça a sala enquanto senta no chão, mesmo tendo um sofá para sentar. Luana que traz bolo. De ameixa. Ainda que você não goste.

Um dia, não faz muito tempo, estávamos as duas a experimentar uns vestidos. Eu pus o rosa. Luana, adivinha? Escolheu um laranja. Há de aparecer, não, Luana? Aproveitar-se das pequenas deixas para mostrar-se inteira? Luana sabia. Uma mulher não deve se esconder. Ainda que com atrofias. Uma mulher, uma mulher... uma mulher precisa de várias coisas, mas primeiro de espaço. Para ser. Luana sabia. Luana é. Luana foi.

Meus medos e receios, contei todos a ela. Escutava, sim. Não parecia muito atenta — o nome não ajudava. Mas vinha com um conselho ou com uma mão sobre a minha. Dizia-me, com os olhos, coisas que as palavras não alcançavam. Sim, ainda agora estou tentando buscá-las. Digo, as palavras. Tão boas, mas tão poucas. Há de sempre precisar inventar mais. Luana tinha os gestos e eles também falavam. Luana olhava para o alto quando não sabia o que dizer. E eu a acompanhava. Ficávamos as duas voltadas para o além. E, em alguns dias, isso curava tudo.

Me curava. Curava Luana? A calça jeans apertada, a blusa amarrada com um nó caindo pelas pernas cruzadas, a expressão fechada... se não fossem as barrocas, nada denunciava que sorria. E eu, tão perto, não conseguia fechar os olhos, não conseguia escapar...

Talvez seja o meu nome. Raísa. Como que enraizada, como que impregnada de terra. Me curo ao olhar para o alto, mas me perco tão pouco nos espaços em que não toco. Já se perguntou? Por que a Terra precisa da Lua? Dizem que é para movimentar o oceano; dizem que é para possibilitar as marés. E a Lua, por outro lado, é inteira sem a Terra. Mas vagaria. Perder-se-ia pelo espaço. A gravidade da Terra segura a Lua, não permite que parta. E, enquanto não me perco o suficiente para sorrir — ou ter barrocas —, me pergunto o que é salvação, o que é prisão. Já Luana não pergunta. Entrega ao universo as respostas.

domingo, 15 de março de 2026

Quando você para de se movimentar e não está em busca de novos meios e maneiras para buscar esse movimento, muito provavelmente está morto. Morto, de certa forma, embora vivo. É o que me faz buscar aplicar técnicas diferentes, ler livros com estruturas fora do comum, escrever pelo avesso. A ousadia não me é particular como pessoa. Penso muito, a consciência pesa, o filtro perpassa por quase tudo. Então, ao me conceder essas experimentações na escrita, me concedo um pouco o que eu não tenho, para além dela. O fluxo de consciência é uma busca, aparentemente, recente, mas é uma busca que aparece lá. Lá atrás. Embora a intensidade do interesse tenha ocorrido quando descobri um nome pra ele. Por que tenho facilidade de escrever? Em qualquer lugar, espaço e contexto? Eu deixo que a escrita aconteça. É um dos meus poucos luxos totalmente livres. Aqui está ela, acontecendo. Não a controlo, não filtro, nunca sei aonde vai chegar. Aqui está ela e é isso. Apenas isso. Que bom.