sábado, 25 de julho de 2020

Mexe: ...

Se eu gritar...
você me socorre?
Você vem correndo, não importa quando?
Você chega e impede que eu caia, afunde, afogue?
Você me alcança? 
Você chega e me enche bastante de puro malicioso amor?
Com um torpe beijo doce?

Se eu gritar...
você chega aqui, urgente?
Vem, vem logo, sem nem pensar?
Derruba as barreiras, vence as batalhas,
briga com o ontem, com o hoje, com o amanhã?

Se eu gritar....
Você dança comigo de novo e de novo rodopia meus medos pra longe?
Você sussura que ‘tá tudo bem, me acolhe e me abrasa?
Você me convence?
Me traz céu azul e vento no rosto?
Com vinho?
Você transforma o frio em quente e meus dias em dias?

Se eu gritar,
o abismo me responde?
Se eu gritar, 
paro de pensar na queda?
se eu gritar,
morro menos?
se eu gritar,
volto a sorrir?
se eu gritar,
me alcanço?
se eu gritar,
acredito?
se eu gritar,
volto?
se eu gritar,
volta?
se eu morrer,
grito?
se eu morrer,
gritam?

(...)

-sim
quero acreditar

-não.
eu já sabia.



sábado, 6 de junho de 2020

Vira: Batidas

No sábado de manhã, tudo parece que vai dá certo.
As cortinas ainda estão meio fechadas e a luz do sol entra tímida pelas frestas.
O dia lá fora parece promissor, apesar do friozinho circulante.
..
Tivemos tapioca na mesa, bastante café e leite de vaca.
Tivemos, temos, balbucios inteligíveis.
Bandolim no soundbar, flauta, pandeiro tentando e conseguindo encaixar.
...
Vivendo aqui, trancada nesse universo, me alegro em saber que, depois desse longo banho, ainda pingando e enrolada na toalha, vou abrir a porta do quarto e encontrar meu mundo particular na minha própria sala.
Trilhado com nostalgia, 
embalado com felicidade e,
surpreendentemente percussivo.




(Me aquece o coração saber que a inspiração também chegou agora)

Quando você escreve qualquer coisa em um espaço onde sabe que não é lida e, por isso, não vai ser interpretada.

Vira e mexe

Vira e mexe,
vira e mexe,
vira e mexe...

Mexe...
e vira.


sexta-feira, 1 de maio de 2020

Nunca escrevo satisfeita.
Sempre foi meu escape particular.
Há momentos - é claro - de puro amor e deleite...
...mas a maior parte do tempo, meus textos,os melhores, vêm carregando algo extremamente íntimo e pessoal de mim que não, não está ok.
Esse é mais um deles.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Esculpiu seu corpo com muito tempo dedicado a ela mesma.
Sua mente, esta, o tempo todo esteve consigo
Tinha cinquenta ambições racionais, poucos sonhos e uma miragem.
E de repente, ebulições internas.

O grande passo seguinte revirou-a do avesso.
E assim, reviraria ainda mais, quando acontecesse.

E aconteceu.
é dela, é mar, é vulcão, certamente revolução.
Dividiu-se ou complementou-se?
Esquentando pra vida,
esse filho dela.
E Dele.


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Reescrever


Estou bem cheia, vendo tudo ao meu redor brotar, enquanto me pego querendo brotar também
De alguma forma, em alguma cor, cor qualquer que seja um pouco apenas minha.
Naturalmente minha.

Tenho duas estrelas tatuadas em um lugar bem escondido.

Quase sempre esqueço delas ou da razão de estarem ali.
Mas são minhas, minhas estrelas. 
Embora tenha deixado-as negras, sei que em algum ponto meu pensamento foi pela luz.
Por estar, querer, engolir, desejar
Alguma luz.

Tanto tempo se passou desde que eu escrevi trezentas bobagens

E eu aqui, voltando a escrever mais.

No universo em que eu me encontro, acho pouco espaço pra essas minhas palavras.

A maturidade corta metade dos pensamentos que eu poderia escrever aqui.
E eu me pego pensando por que ainda termino esse texto.
Por que ainda publico esses pensamentos soltos.
Quanto de mim realmente existe neles.
Quanto de mim existiu em todos os outros.
Quando releio, quero revisar todos os erros, editar, lapidar o passado.
Os passados.
Mas será que vale a pena?

P.