sábado, 22 de agosto de 2020

During pandemia

Sozinhos, cada um em uma ponta, pensavam em uma forma de - de alguma forma - estarem juntos.

Ele conectava-se de mil maneiras e de mil maneiras tentava existir na vida dela.

Ela aceitava o que ele oferecia mas já havia cansado, e muito, de tomar café sozinha.
O preço, o passo, a dimensão... de resistir com um amor que já começou deformado.
Sem toque, apesar do desejo
Sem sentido, apesar da vontade
Sem esperança, apesar do amor.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Tum, tum, tum

Sua mão pegando na pontinha da minha,
me guiando, com seus novos passos, pra esse mundo de alegrias

Seu sorriso ficando cheio,
ilumina, filha,
ilumina demais,
ilumina qualquer dia

Tua voz é linda do jeito certo
é a coisa mais deliciosa que já tocaram meus ouvidos,
digo, alma, filha
minha alma

Tu, tu, tu, 
tum, tum, tum,
meu coração aprendeu a bater
tu faz o sol nascer, filha 
o universo cantar, meu amor
não tem poesia certa pra descrever, filha, 
apenas quero que sempre saiba que tudo de tudo é tu...

tu, tu, tu....
TUM, TUM, TUM.



sábado, 25 de julho de 2020

Vira: nossos quadros

Quero chegar e fazer bolo, 
quero sentar contigo ou deitar contigo no sofá
quero tomar café quente no final da tarde,
quero correr com nossos filhos e me preocupar com eles

quero rotina de um ano com amor de doze 
quero temperos, 
orgânicas alegrias,
brigas que acabam logo, 
compreensão apesar do mundo, 
quero sempre a vontade que faz tudo ficar bem 

e encher todas as parede de quadros contigo.

Mexe: ...

Se eu gritar...
você me socorre?
Você vem correndo, não importa quando?
Você chega e impede que eu caia, afunde, afogue?
Você me alcança? 
Você chega e me enche bastante de puro malicioso amor?
Com um torpe beijo doce?

Se eu gritar...
você chega aqui, urgente?
Vem, vem logo, sem nem pensar?
Derruba as barreiras, vence as batalhas,
briga com o ontem, com o hoje, com o amanhã?

Se eu gritar....
Você dança comigo de novo e de novo rodopia meus medos pra longe?
Você sussura que ‘tá tudo bem, me acolhe e me abrasa?
Você me convence?
Me traz céu azul e vento no rosto?
Com vinho?
Você transforma o frio em quente e meus dias em dias?

Se eu gritar,
o abismo me responde?
Se eu gritar, 
paro de pensar na queda?
se eu gritar,
morro menos?
se eu gritar,
volto a sorrir?
se eu gritar,
me alcanço?
se eu gritar,
acredito?
se eu gritar,
volto?
se eu gritar,
volta?
se eu morrer,
grito?
se eu morrer,
gritam?

(...)

-sim
quero acreditar

-não.
eu já sabia.



sábado, 6 de junho de 2020

Vira: Batidas

No sábado de manhã, tudo parece que vai dá certo.
As cortinas ainda estão meio fechadas e a luz do sol entra tímida pelas frestas.
O dia lá fora parece promissor, apesar do friozinho circulante.
..
Tivemos tapioca na mesa, bastante café e leite de vaca.
Tivemos, temos, balbucios inteligíveis.
Bandolim no soundbar, flauta, pandeiro tentando e conseguindo encaixar.
...
Vivendo aqui, trancada nesse universo, me alegro em saber que, depois desse longo banho, ainda pingando e enrolada na toalha, vou abrir a porta do quarto e encontrar meu mundo particular na minha própria sala.
Trilhado com nostalgia, 
embalado com felicidade e,
surpreendentemente percussivo.




(Me aquece o coração saber que a inspiração também chegou agora)

Quando você escreve qualquer coisa em um espaço onde sabe que não é lida e, por isso, não vai ser interpretada.

Vira e mexe

Vira e mexe,
vira e mexe,
vira e mexe...

Mexe...
e vira.