terça-feira, 6 de novembro de 2007

Um pessoal

Longe de mim ser dessas escritoras que não fazem dos contos, um espelho do que carregam por dentro (aliás, longe de mim me dizer "escritora").

Já rasguei a alma e me despi pra vocês, mais de 50 vezes. Derramei uma sacola de personagens que carregava comigo em histórias interessantes, bizarras, cômicas, angustiantes, de despedida e de amor (entre esses, os outros que ainda não se apresentaram e que chegarão naturalmente, saírão do lugar onde estão escondidos e aparecerão para vocês, com sorriso tímido ou radiante. Com lágrimas ou malabarismos, ou qualquer outra espécie de característica que os colocarão o mais próximo possível de mim, do que vivo em dias, do que sinto em momentos, do que preciso contar pra alguém.)

Esse blog começou assim: uma conversa mais feminina, mais intimista, com um perfil quase agressivo de quem precisa se auto-afirmar, como mulher.

Pois bem, amigos (se é que alguém ainda ler isso aqui), e principalmente, amigas que se identificam com as personagens do texto: talvez os decepcionem, mas resolvi mudar. Sem mudanças quanto a minha pessoa, ou em relação a maneira que escrevo: quero fazer rir e chorar, posso? consigo? Essa é a questão. Quero descobrir se consigo.

A estória é que não preciso, nao sinto mais necessidade de me auto-afirmar enquanto mulher. Minha vontade mudou e subiu. Enveredou por caminhos mais altos e já sentiu os primeiros espinhos das árvores em que se encostou, pra descansar.
Vou tentado, agora, me afirmar como ser humano. Deixou de ser pessoal e começou a ser mais amplo. Deixou de ser "auto", pelo menos. Mais do que nunca quero conversar com vocês. Preciso. E sobre muitos! Homem, mulher, menino, velha, sertanejo, empresário, lua, sol. Que sejam tristes, se quiserem se apresentar como triste, os deixarei a vontade, desfilando, fazendo desse blog, seu palco, onde caminharão com as próprias pernas. Que sejam alegres se assim determinarem! "O que não tem governo, nem nunca terá", já dizia uma música. Que desfilem desgovernados, que sejam naturais, que não escondam as caretas e nem as cicatrizes no corpo. Que sejam eles.

Que alguns gostem deles, enquanto uns outros torçam os narizes (Se é que vão ter platéia, embora não se importem muito com isso, a sede de viver de alguma maneira, faz a parte da platéia ser agradável se existir, mesmo que não deixe de ser, se não exista).

Garotas, vocês deixaram de ser o público alvo desse blog. E olha, observa se não é interessante, a diversidade da platéia agora. Observou aquele ali, nem alto, nem baixo? Penso que ele olhou pra você, joga um sorriso de volta. Analisa se vocês reagem ao que passa pelas "cenas", de maneira parecida ou não: se tremem diante de alguma parte mais claustrofobica (se sim, toma coragem e pede um abraço), ou se saltam a maior gargalhada do público presente (se não, toma coragem e diz que o sorriso dele é lindo. Ou espera que ele se aproxime e fale bem do seu sorriso mais tímido).

Não deixe de dividir, embora as idéias sejam diferentes. Daí é que nasce a compreensão e compartilhar coisas diferentes, além de ser um ensinamento, também é um aprendizado.
Se suas sombras já se conheciam de algum canto e se o frio na barriga 'tá mais forte que todos os outros, se permita ficar nervosa, é normal. Mas nao deixe que o nervosismo atrapalhe nada que pode ser especial. Aliás, até o que não vai ser tão especial assim: que não atrapalhe nada!

Vai lá, nao 'to traindo ninguém. To chamando heterogenia pra platéia. Te trouxe uns paqueras e uns amigos mais velhos. Trouxe algumas crianças tbm, mas as mães e pais, prometeram controlá-los. Alguns palhaços e adolescentes. Pode ser um pouco menos agradável, algumas vezes. Mas se permita observar o diferente, pelo menos. Tente viver a mistura, a parte que não é selecionada. Assim não se vive no mundo? Então! Sem platonismo de se apaixonar por um mundo que não é real, combinado?
Aqui, escreverei com batom, com lápis, caneta ou giz. Misturando as cores, formas e texturas. Desenhando um palco, que se aproxime o máximo possível do mundo real. Do que vivo e enxergo nele.
Espero não decepcioná-la, garota. Nem a ninguém.

Agradeço a paciência, não prezo por preferência. Sintam-se a vontade pra chegar e partir. E até pra nunca virem. E desculpa aí, qualquer coisa. Tem coisa que nasce pra ser "qualquer" mesmo. =D

=)

Bjão,
P.

4 comentários:

Tiago Soares disse...

minha contista/poeta/escritora favorita!

amo demais!

;***************8

Victor disse...

ué... então, boa sorte, né?

Julia Malaguti disse...

não te lia antes
mas agora fiquei curiosa
quero ler esse seu novo eu-lirico.

Daniel Nunes disse...

...se suas sombras já se conheciam de algum canto e se o frio na barriga 'tá mais forte que todos os outros, se permita ficar nervosa, é normal. Mas nao deixe que o nervosismo atrapalhe nada que pode ser especial...

isso foi profundamente profundo!!!

=)

sempre venho aqui, graças ao tiago, e virei fã tb dos seus textos, agora vamos ver né, acredito que quem "é bom" é bom e ponto, ficarei no aguardo de mais textinhos

bj
boa semana

quinta churrascada!!!!
sexta despedida de nanda!!!