terça-feira, 28 de março de 2017

Menos cinco

Ania.
Mente diligente, vontade intermitente de emagrecer 5 quilos.
Alguns amigos, poucos bons.
Um por cento de romance e, se for sincera consigo, um por cento de vontade de começar algum.
Acordada em um quarto pouco escuro, fumando o cigarro que abandonara há três anos anos.
Que não era seu.

O estranho é que Ania não recebia ninguém em casa.
Era um lugar aconchegante pra si, até grande, alguns bons móveis.
Apesar do espaço, sempre achou que ninguém além dela cabia ali.

Uma tragada profunda, pensamentos a mil.
Várias equações sem sentido.
O toco do cigarro colocado de lado...

Ania.
Ela levanta, ainda nua.
Evita fazer barulho, encosta na janela.
Finge não escutar um remexer de lençóis e o bom dia que ele solta baixo.

Ania.
Nenhuma ideia do que fazer a seguir e mais confusão brinda sua mente quando sente seus braços em torno dela.

- Eu disse bom dia - ele sussurra em um timbre entre sono e sexo.



sexta-feira, 17 de março de 2017

O trecho que consigo lembrar sem chorar

....


Embora bebesse uma cerveja na varanda e paquerasse alguns punks  da rua, nada interessava mais do que o círculo em que se encontrava.  A amiga, o antigo namorado da amiga e uns colegas bem engraçados que herdara de um ou de outro.  Era uma noite despreocupada de sua vida fechada. Um respiro de liberdade que apenas um bar alternativo, um dj oitentista, uma boa amiga e uma ou outra paquera despretensiosa preenchia. Tudo estava comum e calmo e mesmo a cerveja quente escorria deliciosa.  



.....


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Um da noite

Tiras caídas no chão do sapato que descalçava.
Na pele, arrepios suspiravam com as lembranças ainda frescas.
Aquelas mãos queridas tatuadas em pedaços dela.
Do corpo, da alma dela.
As sapatilhas caindo de vez, as amarras todas largadas.
Sorrindo, flutuava.

P.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Coleções

Casais que se amam, eu sei: provavelmente sabem as respostas sem palavras.
Ou poucas, uma ou outra que só são ditas quando a distração não lê o coração 
Casais que se amam, também sei: encontram sempre um jeito de dividir um canto, de adivinhar intenções, de dormir profundamente no braço do outro, de achar graça e beleza onde não se sabe que existe, de se mostrar por inteiro sem medo, de tentar fazer as pazes e de aprender a não brigar.
De sorrir com as manias e de pensar de tudo em dobro e preparar sempre pra dois.
Casais que se amam, sei mais do que nunca: fazem juntos coleções que nunca param de crescer. 

P.

Um adeus ao azedume

Sabia que, no fundo, havia esperança de esperar algo bom.
Não era que existisse, de fato, inocência em suas intenções.
Seus olhos que viram mais do que gostariam, exigiam-lhe boa dose de ceticismo.
Era que tinha, dentro dela, algum masoquismo mal resolvido, uma intenção maléfica de tentar outra vez mesmo sabendo o quanto doeu, o quanto doía e o quanto de dor ainda poderia esperar daquilo.
Tentava gostar de ser tratada a pão de ló e cerveja mas nunca achou que merecesse sonho ou qualquer coisa doce.
Recebia, como distração, belos gestos que achava não caberem em sua vida.
Queria o retorno, a volta, o giramundo idiota que insistia em permanecer como vício.
Haveria um dia em que aquilo mataria, consumiria ou libertaria em definitivo.
Hoje, mais de vinte anos depois, pensava na estranheza daqueles dias.
E se deleitava recebendo sorvetes na boca. 

A linha fina

Juízo, Renata, não vá se atirar da escada.
Não deitar depois de se lambuzar, não suje sua cama.
Renata, querida, crescer um pouco é maravilhoso mas vá com calma, amiga
Não engolir o mundo, não desejar de tudo, não correr para um abismo sem medo de cair.
A queda, Renata, esfacelaça.

P.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Bom dia e café

Tem uma casinha e um blues de fundo, uma esperança de verde, músicas nas paredes, cama desfeita, café quente, dia de sol com friozinho, beijinho e um carinho, muito sorrir.

Tem um começo novo em tom de pastel, um colorido tranquilo, uns poucos móveis simples, teus filmes, meus filmes, um casal dividindo estantes, amor e arte, depositados em sofás e mesas com amendoim e vinho, cerveja e queijo (gorgonzola nao).

Tem um bom dia cantado e uma boa noite sossegado. Tem um brilho no olhar, tantos segredos sem baú, espalhados ao redor e leitura de mente. Hoje mais do que ontem e hoje menos do que amanhã.

Tem uma alegria ao ouvir de passos que caminham, firmes e em frente, por essa vida, por toda a vida, por um cantinho quente, com nosso amor em mente. 

P.