sexta-feira, 6 de julho de 2018

Brasil 1 x 2 Bélgica


Te amo, Brasil, mesmo que não tenha dado.
Mesmo que o hexa esteja preso, arranhando a garganta, dolorido e enclausurado a quatro copas.
Mesmo que hoje caíam as lágrimas, soltas e livres, por esse rosto nosso, que de tão nosso, óbvio que chora pela seleção.
Mesmo que teus craques tenham brilhado hoje, mas que esse brilho não tenha sido suficiente...
Não por um jogo de futebol bem jogado, que me orgulha dizer que existiu, mas por um placar real que nos manda de volta, tristes porém orgulhosos.

A Rússia nos desenhou uma história que trazemos de volta pra casa.
Um sentimento de bandeira verde e amarela no peito, mesmo nesse momento inópsito, louco e devastador que vivemos em nossa própria história.
Te amo, seleção, por ter me dado nova vontade de vestir camisa amarela.
Camisa que reneguei por ter sido usada tão maldosamente pra nos separar em vez de unir.
Mas que hoje, abraço de novo, com uma expectativa de esperança, que sempre tivemos no futebol e que precisamos resgatar como país.
Te amo pelo quase 2 a 2 que aconteceu hoje, por querer empatar até o último minuto, por ter me despertado fé pra virar o jogo.
Por ter nos unidos, independente do que nos separa, por esses pouco mais de 90 minutos, que não saímos como ganhadores, 
embora, Bélgica nenhuma duvide, tivemos vontade de vencedores.
Te amo e amarei mais ainda se não guardar em teus filhos essa vontade de vencer para daqui a 4 anos...
Um embate maior se desenha, o destino de toda uma nação, lágrimas muito mais doloridas se perdermos....
2018 é o nosso ano, não importa que não tenhamos vencido a Copa, precisamos virar um jogo maior.
Mais brasileiro do que nunca.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Sobre cicatrizar e brotar

Não tenho dor, embora saiba que tenho cicatrizes
Estão aqui, expostas, as visíveis.
Contando uma ou outra história que passei mexida, mas ilesa.

Elas me constroem, me deixam mais rica.
Me fazem querem contar um pouco mais sobre mim.
O que sou, o que vivo, o que pretendo, onde posso e quero ir.
Me fazem querer brotar de várias formas, esperando que eu brote verdadeiramente pra forma que eu realmente quero ter.
O começo do paralelismo, de todas as linhas.
Curvas e retas que me esperam na estrada, 
curvas e retas da estrada que já passei,
curvas e retas das estradas de outros que cruzei, que cruzo, que vivo.
Esse deleite de caminho que  vez ou outra me premia com uma ou duas cicatrizes...
bem menores do que as todas as histórias que posso contar sobre elas.


Drama nordestino, tragédia inventada

Escutei bem calada as tuas palavras relutantes.
Baixas, indecisas, profundas e cruéis.
Diziam muito sem dizer tanto.
Maculando meu íntimo de tudo aquilo que eu sentia.
Espalhando dor e um zumbido alto no ouvido.
Vontade doída de ignorar o mundo, ignorar você, ignorar a mim...
Fechei meus olhos e a lágrima - teimosa!- escapou sem orgulho algum
E eu?
Amaldiçoei tudo aquilo que não controlava em mim
O dia do primeiro beijo
A saudade do último
Todas aquelas voltas do mundo que te colocavam na minha frente, nunca sendo meu...

...e minha vontade de te possuir.


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

É.

A noite era fria mas a companhia a esquentava.
Mais um momento em que, desde o primeiro momento, as cores pareciam mais fortes.
A mão dele descansava na sua, com a certeza de ser o lugar.
A cabeça dela descia até o seu ombro e, encostada nele, ouvia o jazz aquecedor que circulava.

Naquelas notas, sem letras e sem música, ouvia tudo sobre o seu amor.
O amor que identificava nas pequenas coisas, nas vírgulas do dia e nos quilômetros da estrada.
O amor que é amor. 

Amanhecer

Alice usou óculos escuros porque não queria levar pro trabalho as marcas de mais uma noite mal dormida.
Entrou no carro e viajou por um ou outro som quando decidiu que o silêncio seria a melhor música para aquela manhã.
Não pensou no trânsito, nao pensou no atraso, não pensou na hora.
Seus pensamentos traziam lembranças de um momento que tinha parecido ser diferente.

Alice apertou os olhos por trás do escuro dos óculos.
Lembrou do vinho português, do calor do quarto e de ter esquecido de pedir para apagar a luz.
De ter acordado em um momento entre a noite e o dia e de ter achado estranho sentir conforto.
Lembrou da esquiva, da rapidez com que saíra dali.
Do pânico em querer ficar.

Ainda agora...

Alice ajustou os óculos logo depois que estacionara.
Ainda intrigada, desceu do carro.
Balançando os cabelos, afastou os sonhos. 
E fugiu pro seu dia.

Pausa pro café

Fechou mais um livro e esperou que o tempo passasse.
Era um feriado preguiçoso e frio.
No ar e no silêncio ouvia o som do futuro, burburinhos do passado e toda a paz do agora.
A melancolia de um dia inteiro reservado para sonhos.

O que fazer com eles?


Torcida

Querido pequeno,
Nao interessam minhas palavras, eu sei.
A vida - que vida! - depositou em pequenos potes todos os sonhos.
E os escondeu bem.

Mesmo assim, sem ouvir ou ver, tento te dizer que continuo querendo afastar as sombras.

Qualquer sombra que esconda parte do teu rosto, aquela parte em que eu lembro bem como um sorriso.

Aguenta, corre, te socorre.

Não posso, não vou,
eu torço.

Continuamente e de qualquer forma desde que essa forma seja pra sempre.

Há uma corrente, sabemos, e ela chega aí como chega aqui.

Querido,

acabaram-se as vírgulas mas nao se acabaram os encantos.
Te esforça, te nota, sobrevive, vive.

Fica bem.