sábado, 22 de outubro de 2022

Silêncio

(Aproveitando o ensejo, um texto sobre desejo).

Subitamente, emergi do oceano. Nem saberia te dizer onde estive, já que nem eu sei.

Respirei profundamente - como se sempre tivesse me faltado ar - te vi. 

Dirigi-me lentamente em tua direção, as roupas molhadas pesando, me impedindo os longos passos. 

Na ausência de ondas, o mar inteiro prometia tranquilidade e calma, mas você não. Você não.

Capturei teu lindo e doce olhar em dúvida se vagueava pelo meu corpo ou pelo meu rosto. Capturei tua encantadora e generosa alma, questionando se eu sentia frio. Capturei tuas mãos, antes que tocassem as minhas. 

Passei a caminhar os passos que nos aproximavam e deixar pegadas profundas na areia. Havia a praia, o silêncio e a liberdade que existe em não precisar romper o silêncio. 

....

 (...)

Havia a praia, o silêncio e a liberdade que existe em não precisar romper o silêncio. 

(...)

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Encontro na Clareira


Fora um longo caminho até a clareira. 
Um longo caminho em que tomou, ousadamente, as curvas e retas que sempre temeu.
Enxergou nada quando não havia nada pra enxergar e tudo, quando deveria ver tudo; arranhou-se em cada galho pontiagudo, sangrou com os cortes no corpo, na alma, cauterizou com o fogo à direita, mergulhou em lagos desconhecidos à esquerda, quase congelou de frio.
Descobriu que algumas águas a acalmavam, por mais que suas profundezas a assustassem de início. 
Desafogada, curou-se em lagos profundos.
 
E perdeu-se, encontrou-se, continuou.

Sentia-se diferente do que foi, aliás, entre espinhos e rosas, seguia o caminho. 
O caminho necessário para se transformar em mulher. 
A mulher que sempre quisera ser.
A mulher que encontrava agora na clareira.
E ela ansiava por conhecê-la.